Recife – Rua da Aurora – Tela de Heraldo Cunha

 


MINHA VOLTA AO RECIFE...

 

“Voltei Recife, foi a saudade

quem me trouxe pelo braço...”

Luís Bandeira

 

 

Voltei ao Recife na semana passada, depois de três anos (a última vez foi em junho/2008 quando levei papai para uma consulta com a médica dele). Fui cumprir a missão de trazer os ossos da minha mãe e do meu irmão para o jazigo que comprei em João Pessoa para sepultar meu pai. Consegui realizar a meta a que me propus quando vim morar na PB, de juntá-los novamente assim que pudesse.



Eu, Gilberto, Adriana e Luciana - Restaurante Maré Cheia

 

Passei a semana inteira na cidade, que também é minha por adoção, e confesso que não gostei muito do que vi. Acostumada com a cidade mais calma que é João Pessoa, fiquei abismada com o caos que está o trânsito no Recife.

 

Eu andei a cidade inteira, pois fui a vários lugares para resolver assuntos e encontrar os meus amigos e por onde eu passei os engarrafamentos foram uma constante. Para completar, peguei uma manifestação de estudantes contra o aumento das passagens e passei uma hora, contada pelo relógio, na Av. Agamenon Magalhães. 


Eu, Marithza, Adelina e Gilda - Restaurante Entre Amigos



Também passei 50 minutos na BR 101, no trecho próximo à UFPE e Sudene, num engarrafamento causado por uma obra que estava sendo realizada no viaduto que cruza a Av. Caxangá. Ufa!!! Parecia que estava em SP, que tem os maiores engarrafamentos do país. E o paradoxo disso tudo é que as ruas estão muito bem sinalizadas, mas o trânsito não flui por conta da enorme quantidade de automóveis. 



Nísia e eu, brindando uma amizade de 38 anos

 

Mesmo com toda essa agonia, foi muito bom voltar ao Recife, principalmente, por causa dos inúmeros amigos e amigas que deixei lá. Não deu para encontrar todo mundo dessa vez, mas revi uma boa parte deles.

Foram almoços, jantares, cafés, em restaurantes ou na residência deles, que me gratificaram muito e me fizeram sentir como é bom reencontrar gente querida e que gosta de mim. Nessa hora então, que me sinto fragilizada pela perda do meu pai, nada melhor que o carinho e o ombro dos amigos para me revigorar.


Maria Helena, eu e Socorro Oliveira, na Sudene

 

Encontrei para almoçar e jantar com a turma de amigos e ex-colegas da Sudene, Adelina Moura, Marithza Couto e a irmã Gilda, Nísia Nicéas e a filha Tatiana, Neide Alves, Maria Helena Castro, Dalva Davi, Socorro Oliveira (agora servidora da AGU), Solange Lacava, Sevy Lima, Svietlana Siqueira, Adriana Cruz (hoje na UFPE) e o noivo e muitos outros que fui encontrando pelos corredores do prédio da Sudene. Devo dizer que fico emocionada toda vez que vou ali, porque aquela Casa foi de grande importância na minha vida e na minha formação como cidadã. O único senão foi ter esquecido de bater uma foto com a turma toda reunida no almoço. Uma pena...


Luciana Campelo, Ivone Medeiros, eu, Lúcia Calixto, 
Leta Cavalcanti e Sílvia Ramos - Restaurante Casa de Taipa

 

Matei as saudades das ex-colegas e amigas da Fundação Joaquim Nabuco, Lúcia Calixto, Luciana Campelo, Leta Cavalcanti, Sílvia Ramos e Ivone Medeiros. Almoçamos no restaurante Casa de Taipa, que fica na Estrada do Encanamento, 1042, que tem uma comida deliciosa e ainda ganhei comemoração, com bolo e tudo a que tenho direito, pelo meu aniversário, que será no dia 19 de fevereiro, domingo de carnaval. Foi uma festa!


Eu, Frederica Kriek e Luciana Pires - Café São Braz

 

As amigas Luciana Pires (na casa da qual fiquei hospedada), Marivete Correia e as irmãs Madalena e Maria de Jesus Andrade, foram as que eu mais vi, pois fomos ao Guaiamum Gigante comer camarão e casquinha de caranguejo, ao bar Casa da Moeda, à Creperia Montmartre e ainda me ofereceram dois jantares. Desse grupo revi também Frederica Kriek, com quem tomei um café na cafeteria São Braz do Shopping Plaza. Nessa brincadeira, recuperei os 2kg que havia perdido e devo ter adquirido mais, de tanto que comi nessa semana. Mas nem me importo! Depois começo tudo de novo.


Jane, Cristina, Nathália e eu - Gilson bateu a foto


Também revi amigos e ex-vizinhos da Várzea, Gilson, Nathália e Jane Briano, Cristina Santos, a mãe e a irmã e Célia e Léa. Essas pessoas ajudavam a cuidar do meu pai quando eu ainda trabalhava ou quando precisava viajar a trabalho. Sou imensamente agradecida por “passarem um olho nele” nas minhas ausências.



Helena, eu e Bruno

 

Meus amigos há 40 anos, Helena Ribeiro e o seu amado filho Bruno, e o Maestro Edson Rodrigues, também foram visitados por mim. Foi um almoço muito agradável na casa de Helena, onde relembramos várias passagens da nossa vida de estudantes do curso de jornalismo na UNICAP.


Michele, Yasmin e Lucas

 

Não posso esquecer da minha cunhada Erenice, dos meu sobrinhos Thiago e Michele e do casal de pimpolhos filhos do sobrinho, Yasmin e Lucas, que estão uma graça. Passei o domingo com eles, numa reunião bem família.


Eu, D. Zezita e Adelina

 

Minha lembrança especial é para D. Zezita, mãe de Adelina, uma senhorinha de 95 anos, que é um amor de pessoa e que lembra muito a minha mãe...


Judite e eu

 

Outra citação especial é para Judite Andrade, uma amiga querida que quebrou o tornozelo e está impossibilitada de se locomover. Tadinha... Doida para pular carnaval, mas vai ter que ficar de molho. Fui visitá-la no Janga e fiquei com peninha por ela não poder fazer as estripulias carnavalescas que tanto gosta. Mas carnaval tem todo ano e no próximo ela estará recuperada.


Eu e Julinha

 

Ainda da Sudene, foi me visitar a minha amiga Júlia Nogueira Cruz (aposentada como servidora do INSS) que, como no filme “O curioso caso de Benjamin Button”, está remoçando ao invés de envelhecer. Vou querer a fórmula!


Luciana Pires, Jesus, eu, Madalena e Marivete

 

O último compromisso antes de voltar para casa no sábado, foi um jantar regado a espumante, minha bebida preferida, na casa de Marivete, que mora na Torre, a dois passos da Av. Beira Rio. Do alto do 12º andar onde fica seu AP, pudemos apreciar a lua que estava belíssima, refletindo seus raios no Rio Capibaribe, o que me trouxe à mente este trecho da música de J. Michiles, “Recife manhã de sol”:

 

“Vejo o Recife prateado

à luz da lua que surgiu

Há um poema aos namorados

no céu e nas águas do rio...”

 

E eu não ganhei a chave da Cidade do Recife, mimo com que se agracia pessoas ilustres, mas ganhei a chave da casa de Luciana, para voltar sempre que quiser, mesmo ela não estando lá. Sou ilustre, não?


Maestro Edson Rodrigues, Marivete, Luciana Pires e eu
Bar Casa da Moeda

 

Meu querido Recife, voltarei mais vezes para matar as saudades, mas continuarei morando na minha querida João Pessoa, onde a qualidade de vida está muito melhor e a violência um pouco menor.



Meu bolo de aniversário

  

Sempre sentirei saudades dos amigos, cultivados ao longo dos anos de trabalho, de vizinhança e de faculdade, mas irei vê-los sempre que possível.

 

Até a volta!

 

Fátima Vieira

13/02/2012

 




De azul, a sua cor preferida – 20/03/2011



30 DIAS SEM MEU PAI...



Hoje faz 30 dias que meu pai partiu para sua viagem final. Após 4 meses de agravamento das suas doenças, chegou a sua hora em 21/12/2011.

 

A vida inteira ele teve toda a assistência que eu pude dar. Desde coisas simples, até as mais específicas para aliviar os efeitos das suas doenças e das suas limitações, lhe foram proporcionadas por mim, com muito amor, carinho, prazer e boa vontade. E Deus me concedeu o privilégio de ter sido a última pessoa a vê-lo com vida. Às 3 horas da manhã eu lhe dei água, brinquei com ele e beijei-o muito. Quando acordei de um cochilo na cadeira às 4:40, ele havia partido...

 

Meu pai também passeou e se divertiu muito, pois sempre viajávamos nas férias e nos longos feriados, como a Semana Santa. O destino principal era João Pessoa, onde mora sua família e porque eu temia que ele morresse, já que estava envelhecendo, sem ver as pessoas queridas. Esse também foi um dos motivos que me levaram a voltar para João Pessoa, depois de sair daqui bebê e voltar após 53 anos.

 


Quando conheceu a bisneta – 13/08/2011



Viajávamos também para outros lugares, praias, principalmente, e em 2005 passamos a semana inteira do carnaval em SP. De lá fomos até Aparecida, São José dos Campos e Campos do Jordão. Íamos de metrô para o Terminal Rodoviário do Tietê e lá pegávamos um ônibus para essas cidades. Voltávamos no fim do dia ou então no dia seguinte, como quando fomos a Campos do Jordão. Ele ainda aguentava andar a pé e viajar de ônibus. Estava muito bem naquela época.

 

E ele nunca me pediu para voltar para João Pessoa, até porque nossa vida estava toda organizada no Recife (trabalho, principalmente), mas eu sabia que esse era um desejo dele.

Quando em 2007 comecei a procurar moradia aqui, escolhi como local o bairro de Jaguaribe, pois é onde mora boa parte da família dele e da minha mãe e todos pertinho de nós. Além disso, Jaguaribe foi o bairro onde ele e minha mãe viveram (ele, depois que veio do Pilar, sua terra natal, morar com o irmão e as sobrinhas) até casarem e mudarem para Curitiba e depois para o Recife.

 



Uma das últimas fotos - 05/11/2011

 

No início, quando ele ainda podia andar muito, saía para caminhar de manhã cedo e ia longe, revendo os lugares que conhecia como a palma da mão. Ao andar de carro pelo bairro, ficava dizendo para mim: “ali morou fulano, ali sicrano, essa rua tinha outro nome” e coisas desse tipo. Era uma viagem no tempo e na sua memória, que era ótima.

 

Eu ainda estou muito triste com a sua partida e não há dia que eu não chore e que não lembre dele, mas sei que isso vai melhorar com o tempo. Nessas ocasiões o que me ajuda é ter a certeza de que ele teve assistência, amor, carinho e o melhor que as nossas condições financeiras puderam oferecer, principalmente nos últimos anos de vida. E mereceu tudo isso, pois foi um ótimo pai, marido, tio, filho, irmão, cunhado, genro e amigo.

 

Ele adorava conversar e fazia isso onde chegava, até com estranhos. E quando não gostava das pessoas, não tinha jeito. Não as destratava, mas também não fingia gostar só para agradar. Esse era seu Ademar Vieira.

 

Saudades eternas, meu querido pai...

 

Fátima Vieira

21/01/2012

 




Foto de 1986


 

QUERIDA MÃE...



Hoje, 15 de janeiro de 2012, minha mãe faria 89 anos. Infelizmente ela morreu em 1990, aos 67 anos.

 

No ano passado escrevi uma crônica sobre ela, mas hoje, passados 25 dias da morte do meu pai, quando sinto um vazio e uma dor enormes no peito, não consigo escrever nada. Mesmo assim não deixaria passar em branco esta data.

 

Meus pais foram os grandes amores da minha vida. Convivi com eles a minha vida toda, pois nunca saí de casa para morar sozinha ou por casamento (continuo solteira e vou morrer assim).

 

Para homenageá-la procurei um poema na internet e encontrei o que segue abaixo, singelo, mas que expressa o meu amor pela minha mãe.

 

Fátima Vieira

 

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MAMÃE

 

Ana Luísa Melgaço Almeida

 

Queria tentar explicar
como é meu amor por ti.
Acontece que meras palavras
não dizem o que eu senti.

 

Talvez seja como cores
que alegram cada segundo.
Talvez sejam como flores
que encantam a todo o mundo.

 

Às vezes, é história
Texto, poema ou poesia;
às vezes é como o sol
que ilumina os meus dias.

 

Pode ser um doce
que faz a gente sorrir.
Pode ser um sonho
que alegra o meu dormir.

 

Como dizer uma coisa
Que não tem explicação?
A certeza é que você mora
dentro do meu coração.

15/01/2012

 

Fonte: http://www.almacarioca.net/dois-poemas-pra-minha-mae-querida-ana-luisa-melgaco-almeida/




Papai e a bisneta Yasmin



QUERIDO PAI...

 

Querido pai, hoje é o seu dia, dia imposto pelo calendário comercial para que todos comprem muito e os comerciantes tenham mais lucros.

 

Para mim hoje não é o seu dia e sabe o porquê? Porque todo dia é o seu dia.

 

Nós convivemos 24 horas por dia há 58 anos, o tempo que tenho de vida, pois nunca saí de casa para morar fora, embora, quando jovem, tenha querido isso, mas não pude fazê-lo por questões financeiras.

 

Continuar em casa depois de adulta e conviver com você e mamãe, teve encantos e desencantos, claro, pois a convivência entre pessoas sempre tem altos e baixos, afinal cada um tem seu jeito, sua personalidade, seu modo de ser e conosco não foi diferente, mas nunca me arrependi.

 

Cuidar de vocês que já estavam envelhecendo e precisavam de mim, foi bom e gratificante, pois sempre me senti responsável pela família e sempre fui de opinião que estava fazendo a minha parte e retribuindo tudo o que vocês, meus pais, fizeram por mim, ao me educarem e me darem conforto e segurança.

 

Hoje restam só nós dois e a nossa luta diária. Você com seus inúmeros e sérios problemas de saúde e eu tentando minorar esses problemas e cuidando de você com o melhor que eu possa fazer, dentro das minhas limitações, do meu modo de ser, mas fazendo tudo com muito amor e boa vontade.

 

Querido pai, eu peço a Deus todos os dias para que as doenças que o afligem não o coloquem em uma situação indigna para um ser humano, porque ninguém merece isso, muito menos você, que foi um ótimo filho, irmão, marido, pai, amigo, que sempre cumpriu com seus deveres e que nunca deixou sua família passar necessidades.

 

Peço também que continue com seu bom humor, com a sua vontade de viver, de conversar e contar as coisas da sua vida e da sua família e que as pioras no seu estado clínico não afetem esse seu lado tão bom de conviver.

 

Peço, enfim, que ainda fique por muito tempo entre nós, me fazendo companhia e me fazendo feliz, principalmente, por tê-lo junto a mim.

 

FELIZ DIA DOS PAIS, QUERIDO PAI!

 

Fátima Vieira

 

14/08/2011


 


 

PARABÉNS, THIAGO!!!


 Foto: dezembro/2010

 

Meu querido sobrinho Thiago, hoje você completa 25 anos de vida e é um rapagão bonito, inteligente, alegre, saudável e bem disposto!

 Foi um bebê muito fofo!

Sua vida não tem sido fácil. Perdeu seu pai de maneira trágica aos 13 anos e, como conseqüência dessa perda, perdeu também o rumo da vida. Sofreu um bocado para retornar aos trilhos, mas conseguiu, com ajuda de toda a família, que nunca o abandonou, principalmente sua mãe e sua irmã. E eu torço para que continue nos trilhos, para seu bem e agora, da sua filhinha linda.


Com os irmãos Tiago e Michele

E essa tragédia trouxe uma coisa boa, que foi a descoberta de outro irmão, do qual ninguém sabia da existência. E mais, ele tinha o mesmo nome e idade que você. Infelizmente, ele também se foi tragicamente...


Só queria brincar...


Você sempre foi um menino bom e sem maldade e, como seu pai, não gostava de estudar, só queria brincar. Era um pestinha, porque aprontava muito em termos de peraltices, mas não era violento e até apanhava dos colegas na escola. E seu coração sempre foi maior que você. Lembro de uma história em que você, ainda menino, deu o dinheiro que tinha no bolso para um mendigo que encontrou na rua com fome. 


O que fazia?


E lembro, também, de uma aprontação sua, indo uma vez à sacristia de uma igreja com sua tia-avó Eliete e, quando ela descuidou-se, você pegou as hóstias que estavam para serem benzidas e comeu-as. Seria bom que tivesse comido as que estavam bentas, para ver se assim ficava menos traquina e tomava gosto pelos estudos. Sua vovozinha Cinira, minha mãe, fez uma coisa parecida com o seu pai: levou-o à Igreja da Penha no Recife e sentou-o na cadeira de Dom Vital, para ver se assim ele também ficava mais calmo e estudioso. Ledo engano, ele não mudou nada.


Comigo, seu pai, seu avô e sua irmã

 

Você sempre foi muito querido por todos da família e, mais ainda por seu pai. Sei que não é fácil entender o que ele fez, deixando você e sua irmã, ainda muito novos, sem pai. Você não precisa entender, basta saber que, mesmo fazendo o que fez, ele os amava muito. Infelizmente, estava deprimido e nessa situação as pessoas não raciocinam direito, podendo chegar a extremos, como foi o caso dele.


Com sua fofinha Yasmin

 

E onde seu pai estiver, deve estar com muita raiva do que fez, pois não está aqui para curtir a neta Yasmin, sua filhota linda, que só tem 4 meses e já é muito amada e querida por todos nós.


O pai amoroso de uma pequerrucha linda

 

Querido Thiago, eu lhe desejo muitas felicidades, muito sucesso, muita saúde, disposição e perseverança para enfrentar a vida e seus percalços e muitos, muitos anos de vida para cuidar de Yasmin e dos outros filhos que ainda terá.

 

Deus o abençoe sempre!

 

Fátima Vieira

 

09/05/2011



PARABÉNS, MICHELE!!!

 

 

Michele, minha sobrinha querida...
Hoje é o seu aniversário...

 

 

 

Você já foi assim...

 

 

 

E assim...

 

 

 

Uma pequerrucha linda que dizia: "Com lichencha...", quando precisava passar e alguém estava impedindo...

 

 

 

 E que ia lá para casa ajudar mamãe, vovozinha, como você a chamava, a preparar o almoço de papai...

 

 

 

Que foi minha madrinha de formatura, substituindo vovozinha, que já havia partido...

 

 

 

Que adora pizza com Coca-cola...

 

 

 

Que é muito querida por seus avós, suas tias, seu irmão, sua mãe, seus primos, seus amigos...


 

E foi muito querida por seu pai também...

 

 

E que adora sua sobrinha Yasmin, a mais nova integrante da família...

 

 

 

Continue a ser esse amor de pessoa, alegre, desprendida, generosa, amiga, atenciosa com a família e que um dia venha a ter sua própria família, para que esse amor que tem por crianças, possa ser derramado sobre seus filhos.

 

Feliz aniversário, querida sobrinha!

 

Seja muito feliz e continue a fazer a felicidade dos que a rodeiam!

 

E que Deus a abençoe e guarde sempre!

Fátima Vieira

11/04/2011

 





Foto de 20/03/2011


 

PARABÉNS, PAPAI!!!

 

Fátima Vieira

 

Hoje é um domingo especial para mim porque é o aniversário do meu pai. Está fazendo 89 anos e acho que ainda fará muitos mais, pois na família dele todos vivem muito, até depois dos 90 anos. Como ele é o caçula de nove irmãos, então deverá viver um bocado ainda.

 

papai28anosMeu pai nasceu no Pilar – PB, terra de José Lins do Rego, situada a 60km de João Pessoa. Menino ainda, veio morar na capital, na casa do irmão que já era casado e 16 anos mais velho do que ele. Voltou para o Pilar e saiu aos 18 anos para servir ao Exército e morar em João Pessoa (na foto à esquerda, com 28 anos).

 

Meu avô, pai dele, era lavrador e muito pobre. Muitas vezes não tinham quase nada para comer. Papai, ainda criança, ajudava meu avô na lavoura e ia com ele trabalhar em outras cidades, muitas vezes fazendo o trajeto a pé. Acho que por conta dessa origem tão pobre, ele sempre foi muito preocupado que não nos faltasse alimentação. Todo o dinheiro que recebia era sempre para a comida em primeiro lugar.  

 

Já adulto trabalhou em João Pessoa numa representação da fábrica de charutos Suerdieck (à direita a caminhonete com a qual viajava por toda a Paraíba). Casou em novembro de 1951 e quando a empresa faliu ele foi trabalhar no Banco Lar Brasileiro, associado ao Chase Manhattan Bank, em Curitiba, para onde fomos em 1953, antes que eu completasse um ano de idade, emprego arranjado pelo antigo empregador falido, que nunca lhe pagou os direitos trabalhistas. Como eu e ele tivemos pneumonia em Curitiba, o médico nos aconselhou a voltar para o Nordeste e ele foi transferido para uma agência do Banco no Recife, cidade onde moramos por 51 anos. Voltar para João Pessoa e para perto da família, foi um sonho que ele acalentou a vida toda, que nunca pensou em ver realizado e que conseguiu em 2007.

 

BLB-RecifeFoi demitido do Lar Brasileiro (na foto com os colegas do Banco) com quase 10 anos de trabalho e se tivesse procurado um advogado, certamente teria sido readmitido, pois já tinha estabilidade, mas ele sempre foi avesso a reclamar judicialmente o que lhe era devido, certamente por acomodação ou falta de orientação. Com o dinheiro da demissão comprou o ponto de uma cantina que funcionava no 6º andar do Edifício da Receita Federal, no Recife, onde ficou por 8 anos, até ser mandando embora pelo superintendente da época, sem direito a nada, já que o ponto pertencia à Receita. Trabalhávamos todos lá, inclusive eu e meu irmão, ainda crianças. Isso nos ensinou a ter responsabilidades logo cedo.

 

Quando foi praticamente expulso e ficou sem trabalho, um dos funcionários da Receita, arranjou um emprego para ele numa beneficiadora de mármore. Além do trabalho normal e para ganhar um dinheirinho a mais, trabalhava também como vigia aos sábados e domingos, o dia inteiro, e eu ia levar almoço para ele. Essa situação me doía bastante e como eu já era digitadora no Serpro, resolvi arranjar mais outro emprego e tirá-lo desse suplício de final de semana. Por conta disso, atrasei meu curso de jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco e terminei trancando a matrícula em definitivo, atitude da qual nunca me arrependi. Onze anos depois é que voltei a estudar.

 

Ele não ficou muito tempo nesse emprego e a mesma pessoa que o arranjou, conseguiu outro no SESI, onde ele trabalhou por 18 anos no almoxarifado e se aposentou na compulsória, aos 70 anos. Nunca chegou atrasado ao trabalho, era durão e exigente com os fornecedores e só faltava por motivo de doença. Via os colegas reclamando de tudo, mas ele nunca reclamou de nada e sempre foi trabalhar satisfeito (na foto com 3 das 7 irmães).

 

Foi um dono de casa de dar inveja. Ajudava minha mãe e a mim nas tarefas domésticas e nunca deixou que fôssemos à feira ou ao açougue. Uma vez cortou a mão e não pôde fazer a feira, mas nos acompanhou até lá para nos mostrar os feirantes dos quais era freguês e para que ninguém nos enganasse. E cozinha bem! Hoje não mais como antes porque a coluna não o deixa ficar em pé muito tempo, mas, às sextas-feiras, ainda faz o feijão que come durante toda a semana. E quando acorda sem muita dor na coluna, faz o café, como fazia antigamente, pois era o primeiro que acordava e saía para trabalhar, então já deixava tudo pronto para nós. Pense num dono de casa bom!

 

mamaepapai2Ele e minha mãe brigavam, como a maioria dos casais, mas nunca por causa de mulher, de bebedeira ou porque ele deixou de cumprir suas obrigações de marido e pai. Ele sempre disse que namorou, bebeu, divertiu-se, enfim, fez tudo que tinha direito quando solteiro, mas depois de casado, só minha mãe e a família existiam para ele. Claro que ele continuou a gostar (ainda gosta e toma) de uma cachacinha antes do almoço, mas é só isso. Nada de farras nem mulheres. Jamais passamos por constrangimentos por um mau comportamento do meu pai.

 

Papai é uma pessoa bem-humorada, brincalhão, mas ninguém pise nos calos dele que explode feito bomba! É inteligente, mas só fez o curso primário. Lê jornal diariamente para se inteirar das notícias, pois como tem sérios problemas auditivos, não escuta bem a TV. Usa aparelhos nos dois ouvidos, mas não gosta. Coloca às 5 da tarde e tira quando vai dormir, por volta das 22 horas. Esse é um problema sério e que causa um pouco de estresse a nós dois, pois tenho que repetir as coisas 3, 4, 5 vezes, além de falar alto (minha voz é poderosa por natureza) para que ele escute. Como agora está com aparelhos novos, espero que se convença a usá-los o dia inteiro para que possa me escutar.

 

É portador de dois tipos de câncer: um na próstata, há 13 anos, e outro na medula (mieloma múltiplo), que causa anemia e ataca os ossos, descoberto em 2009 e que não é metástase do outro. Faz quimioterapia para o mieloma, as taxas baixam, então precisa tomar sangue, coisa que ele detesta, e por aí vai. A coluna dele, que é um S de tão troncha, o aperreia muito também e há dias em que as dores são intensas. Muitas vezes pergunta a Deus o que fez na vida para merecer tanto castigo no que se refere à saúde. Tadinho...

 

Mesmo com todos esses poréns, ele não desanima. Continua conversador (adora contar as coisas do passado dele e lembra de onde moravam as pessoas aqui no bairro de Jaguaribe, onde residimos atualmente), teimoso (quer fazer tudo o que não pode, inclusive trabalhos em casa) e não é exigente com nada. Não se importa de andar com roupa rasgada, sapato furado e não sai assim porque não deixo. Continua simples, sem vaidades e preocupado em ter a alimentação antes de tudo (foto: papai, mamãe, meu irmão e minha sobrinha).

 

papaieeuMeu pai sempre foi um homem decente, sempre deu bons exemplos para os filhos e netos e eu tenho muito orgulho de ser sua filha. Faço o que posso para que seus dias sejam os mais amenos possíveis. Faço o que posso para que suas doenças não o impeçam de continuar alegre, brincalhão e conversador, como sempre foi. Devo isso a ele, por ter me criado dando bons exemplos e me ajudado a ser a pessoa que sou hoje (na foto ao lado nós dois a caminho de Caruaru, no Trem do Forró).

 

Parabéns, querido e amado pai! Que Deus o abençoe e ilumine sempre!

 

E dedico-lhe esta bela poesia de Mário Quintana.

 

  



AS MÃOS DO MEU PAI


Estas são as mãos do meu pai



Mário Quintana

 

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis

sobre um fundo de manchas já cor de terra

— como são belas as tuas mãos —

pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram

na nobre cólera dos justos...

 

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,

essa beleza que se chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam

nos braços da tua cadeira predileta,

uma luz parece vir de dentro delas...

 

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,

vieste alimentando na terrível solidão do mundo,

como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?

 

Ah, Como os fizeste arder, fulgir,

com o milagre das tuas mãos.

 

E é, ainda, a vida

que transfigura das tuas mãos nodosas...

essa chama de vida — que transcende a própria vida...

e que os Anjos, um dia, chamarão de alma...

 

 

27/03/2011

 




DIA INTERNACIONAL DA SÍNDROME DE DOWN

 

Fátima Vieira

 

A foto acima é da minha querida e grande amiga há mais de 30 anos, Helena Ribeiro, com o seu filho Bruno, portador da Síndrome de Down, em Buenos Aires, no dia 09/03/2011.

 

Quando Bruno nasceu, há 18 anos, confesso que pensei que ele não sobreviveria, pois precisou fazer uma cirurgia no coração com poucos meses de nascido. Era um pequerrucho tão pequeno, mas tão pequeno e frágil, que a gente pensava que ele ia quebrar se o pegássemos no colo.

 

Bruno sobreviveu à cirurgia, cresceu, tornou-se um menino alegre, inteligente, estudioso e um rapaz do mesmo jeito. Quando ainda era muito pequeno um dia liguei para falar com a mãe dele, que não estava em casa. Ele chamou a empregada e repetiu, palavra por palavra o recado que eu estava deixando, para que a moça anotasse. E quando Helena chegou ele deu o recado direitinho.

 

Neste ano Bruno fez vestibular e está cursando História. Não é fácil, mas ele está conseguindo e tenho certeza que chegará ao fim, que se formará, até porque a sua batalha maior venceu com poucos meses de vida.

 

A mãe e toda a família são grandes parceiras de Bruno nessa trajetória. Estão sempre ao lado dele, tratando-o como igual e mostrando a ele que a sua diferença não é diferença nenhuma, se as pessoas de dispuserem a enxergar um palmo além do nariz, fazendo a sua parte “por um mundo melhor e uma sociedade mais justa, contribuindo para a inclusão” (palavras de Helena Ribeiro).

 

Minha homenagem a todos os portadores de Down, representados por essa pessoa incrível e vencedora que é Bruno Ribeiro Fernandes, neste Dia Internacional da Síndrome de Down.


21/03/2011


 
DIA MUNDIAL DO CONSUMIDOR

 

 

Fátima Vieira

 

boloHoje fui ao Extra pela manhã e me surpreendi com um cartaz dizendo que hoje é o Dia Mundial do Consumidor. Confesso que não sabia. Além do cartaz havia um bolo de chocolate recheado e com cobertura (estava uma delícia), acompanhado de Ice Cola (uma droga!) para nos oferecer. Melhor que um bolo delicioso e um refrigerante ruim, seria o Extra ter dado um desconto de, pelo menos, 50% em todos os itens, durante todo o dia de hoje, para quem fosse lá fazer compras. Era uma atitude mais que justa para homenagear quem os torna cada dia mais ricos, NÓS, OS CONSUMIDORES!

 

Enquanto pegava os produtos, minha mente ia lembrando o quanto os consumidores deste amado Brasil são desrespeitados. Lembrei também do que me aconteceu dentro do próprio Extra, no dia 21/06/2010, quando 4 mulheres roubaram minha carteira dentro do elevador, enquanto conversavam comigo para me distrair, tendo uma delas simulado até uma tontura. No elevador não havia e nem há câmeras de segurança, o que, certamente inibiria um roubo e ajudaria na identificação de possíveis ladrões. No entanto, dentro da loja, existem várias câmeras para monitorar os CONSUMIDORES que roubam ou comem algum alimento sem pagar.

 

Esse incidente do roubo no Extra me trouxe grandes e ruins conseqüências, pois, além de ter que tirar todos os documentos e cartões de crédito novamente, meu nome foi para o SPC e Serasa porque as ladras fizeram cartões na C&A e no Banco IBI, que são a mesma empresa, com os meus documentos e fizeram um monte de compras com eles. Saliento que SPC e Serasa estavam devidamente avisados do roubo, por notificação oficial e documentada, desde o dia em que ele aconteceu, mas a C&A e o IBI não fizeram a consulta correta a esses órgãos e eu é que me ferrei. E só descobri porque, 4 meses depois, fui fazer um cartão na Saraiva e foi negado porque meu nome estava sujo. Claro que acionei o Banco IBI por danos morais e ganhei uma indenização. Pelo menos isso, no meio dessa confusão toda que me aconteceu.

 

E por falar em roubar ou comer nas lojas, hoje vi um senhor de cabelos brancos pegando um pão-de-batata na padaria do Extra e comendo na maior cara-de-pau. Dei um monte de risadas com a situação. E eu também como dentro dos supermercados. Quando estou com fome sempre pego um iogurte líquido ou um biscoito dos pequenos, mas guardo a embalagem e pago quando chego ao caixa, mas o senhor grisalho pegou um pão que precisaria ser embalado, pesado e pago antes e comeu. Achei ótimo!!!

 

Escrevendo essas linhas me vieram à mente mais e mais situações de desrespeito, como o tempo que passamos nas filas dos bancos, por exemplo. Por lei, eles têm 15 minutos para nos atender, mas na prática não é assim. Uma agência do Branco do Brasil, na cidade de Cajazeiras, interior da PB, foi fechada hoje por não respeitar esses 15 minutos. Se isso fosse exigido sempre, todas as agências de banco fechariam diariamente.

 

consumidor1Os supermercados são obrigados, pelo Código de Defesa do Consumidor, a terem embaladores nos caixas, mas nunca têm. A gente chega ao Bompreço da Praça Castro Pinto, pertinho da minha casa e vê um cartaz onde diz que há embaladores na loja, mas penso que todos são como “Gasparzinho, o fantasminha camarada”, invisíveis para os olhos, pois nunca os encontro. Como sou muito chata e quero meus direitos respeitados, quando vou fazer as compras grandes no final do mês, aviso logo ao caixa que não vou embalar nada, que chame alguém para fazer isso e que, se o patrão dele diminuir os preços para eu embalar, farei isso de muito bom grado, mas como nos preços dos produtos já está embutido o salário do embalador, então que eu tenha um para fazer a função dele. Se não aparecer ninguém para embalar, a fila fica parada, porque eu não embalo mesmo!

 

No ano passado descobri que o meu plano de saúde cobrava por um medicamento que meu pai toma (eu pago uma mensalidade baixa pelo plano e a participação em todos os procedimentos que precisar), por conta do câncer da medula do qual é portador, 10 vezes mais que o valor dele. O medicamento é Granocyte, caixa com 5 ampolas que eu comprei em fevereiro de 2010 por R$ 283,00 na Farmácia Prescrita. Em março papai precisou novamente e pedi ao plano, ao invés de comprar. Em abril, quando peguei o extrato de participação, vi que o mesmo medicamento estava sendo cobrado a R$ 2.215,00 e o valor da minha participação, que é de 15%, foi de R$ 332,00, mais caro que se eu tivesse comprado na Prescrita. Quase tive um troço!

 

Fui ao hospital e lá me mostraram uma tabela (Brasíndice) que o plano manda seguir para cobrança, na qual o preço era aquele mesmo. Fui ao plano e me confirmaram o absurdo dessa tabela. Aí eu mandei ver! Na mesma hora fiz uma reclamação por escrito, pedindo que a tabela fosse revista e anexando um orçamento da Prescrita com os valores reais, que eu havia levado por precaução. Em seguida fui chamada para conversar com o gerente do plano a quem também reclamei muito e ameacei, veladamente, com o Ministério Público, que me prometeu uma solução.

 

Nunca me deram uma resposta por escrito, como deveriam, mas o resultado é que hoje existe uma tabela do próprio plano, cobrando preços aproximados aos praticados pela Farmácia Prescrita e não o absurdo de antes. A minha reclamação e o meu esperneio valeram de alguma coisa. Ainda bem!

 

E para não falar só de coisas ruins, quero deixar registrado aqui um programa que a Phillips tem de respeito ao consumidor. Se comprarmos um produto Phillips de uso pessoal e não nos adaptarmos a ele, mesmo depois de usado podemos devolver e sermos ressarcidos com o valor total do produto. Eu comprei um barbeador elétrico para o meu pai, que usou uma vez, irritou a pele e ele disse que não usaria mais. Telefonei para a Phillips, fui orientada a esperar 20 dias, ligar de novo, pegar um número de registro e devolver o barbeador numa assistência técnica. Fiz isso e 20 dias após eles depositaram o valor do produto na minha conta, mesmo eu tendo comprado em 3 parcelas. Essa é uma coisa muito boa, no meio de tanto desrespeito do qual somos vítimas sempre.

 

Essas são só algumas situações que lembrei onde o meu direito de consumidora foi pelo ralo. Apesar do avanço que é o Código de Defesa do Consumidor, muita coisa precisa ser feita ainda para que possamos ser respeitados pelo que realmente somos e pelo jargão que muitas empresas usam para nos classificar: REIS! Se não fossem por nós, OS CONSUMIDORES, eles, as empresas, os prestadores de serviços, as lojas, não seriam nada, não existiriam. Mais respeito então com os REIS!

 

15/03/2011

 


 

ÀS MULHERES DA MINHA VIDA

 

 

Fátima Vieira

 

 

mamae2Hoje, Dia Internacional da Mulher, faço uma homenagem às mulheres que fizeram e fazem parte da minha vida e que são muitas.

 

A primeira e mais importante é a minha mãe, Cinira de Carvalho Vieira, porque me deu a vida, me ensinou as primeiras palavras, os primeiros passos, a ser uma mulher decente, responsável, a amar a família e ao próximo.

 

A segunda mais importante foi a minha ama-de-leite, da qual, infelizmente, não lembro o nome, pois sem ela para me amamentar eu não teria sobrevivido (que exagero!) nem me tornado uma bebê gordinha e saudável.

 

Depois vêm todas as outras que de uma maneira ou de outra me ajudaram a crescer como pessoa, a ser quem sou hoje, me passando conhecimento (as professoras), me ensinando a trabalhar (colegas de trabalho), me dando amor, amizade, carinho, compreensão, ajuda e um ombro amigo nos momentos difíceis (as mulheres da família e as amigas queridas).

Para homenageá-las realmente, com algo belo e poético, nada melhor que o grande Vinicius de Moraes e o seu poema A MULHER QUE PASSA.

 

Um grande abraço a todas as mulheres da minha família, às amigas reais, virtuais e às mulheres que não conheço e visitam este modesto site. 

 

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!

 

 

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A MULHER QUE PASSA

Meu Deus, eu quero a mulher que passa

Seu dorso frio é um campo de lírios

Tem sete cores nos seus cabelos

Sete esperanças na boca fresca!

 

Oh! como és linda, mulher que passas.

Que me sacias e suplicias

Dentro das noites, dentro dos dias!

 

Teus sentimentos são poesia

Teus sofrimentos, melancolia.

Teus pelos leves são relva boa

Fresca e macia.

Teus belos braços são cisnes mansos

Longe das vozes da ventania.

 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

 

Como te adoro, mulher que passas

Que vens e passas, que me sacias

Dentro das noites, dentro dos dias!

Por que me faltas, se te procuro?

Por que me odeias quando te juro

Que te perdia se me encontravas

E me encontrava se te perdias?

 

Por que não voltas, mulher que passas?

Por que não enches a minha vida?

Por que não voltas, mulher querida

Sempre perdida, nunca encontrada?

Por que não voltas à minha vida

Para o que sofro não ser desgraça?

 

Meu Deus, eu quero a mulher que passa!

Eu quero-a agora, sem mais demora

A minha amada mulher que passa!

 

No santo nome do teu martírio

Do teu martírio que nunca cessa

Meu Deus, eu quero, quero depressa

A minha amada mulher que passa!

 

Que fica e passa, que pacifica

Que é tanto pura como devassa

Que bóia leve como a cortiça

E tem raízes como a fumaça.

 

Vinicius de Moraes 
 

Fonte: http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=85

08/03/2011

 


  

PONTES IMPLODIDAS

 

Fátima Vieira

 

Li ontem num blog, neste endereço http://migre.me/3XpIU, uma metáfora que o blogueiro fez, usando a figura de uma ponte, sobre as decisões que devemos tomar na vida em decorrência de fatos que nos acontecem e que, tomada a decisão, ela não tem volta. Concordo com ele.

 

Recentemente, mais precisamente no mês de novembro passado, detonei uma ponte que me ligava a uma pessoa porque descobri que essa pessoa tinha mais “duas pontes” iguais a que tinha comigo. Isso sem contar que pode até haver mais “pontes” das quais não tenho conhecimento.

 

Três anos atrás eu já havia detonado essa ponte, mas, por pedidos da pessoa em questão, para que lhe fosse dada nova chance, eu a reconstruí. Claro que a reconstrução não podia ser perfeita e ficaram rachaduras, grandes, que abalaram a estrutura da ponte, mas, mesmo assim ela serviu e seguimos em frente. Eu na esperança de que o pedido de nova chance fosse decentemente cumprido, o que não aconteceu. A pessoa, certamente, achando que eu fecharia os olhos e aceitaria nova recaída, o que também não aconteceu.

 

O fato é que agora detonei de vez essa ponte, sem dó nem piedade, com uma carga enorme de TNT! De quebra, ainda espalhei um pouco do TNT nas “outras duas pontes”. O que aconteceu com elas não sei nem quero saber. Penso que devem ter ficado com as estruturas um pouco abaladas, mas isso não é problema meu. Fiz a minha parte ao mostrar que aquelas “pontes”, como a minha, estavam construídas em cima de mentiras e deslealdade. O resto não é comigo!

 

Hoje olho para o local onde a minha ponte estava e não vejo mais nada, pois TODOS os escombros foram minuciosamente removidos. E como não vejo mais a ponte, também não vejo do outro lado, a pessoa à qual ela me ligava. Sumiu! Está invisível! Transparente!

E assim a vida segue. E a minha vida está ótima! Esses atropelos que aparecem pelo caminho, fazem parte. Eu vou tirando os que posso, como tirei a ponte. Os que não posso tirar, vou contornando e seguindo em frente. Essa é a ordem natural das coisas.

27/02/2011



 
O MEU DIA MAIS FELIZ!

 

Foto tirada em 18/02/2011.
O quadro ao fundo foi pintado e presenteado a mim pelo meu amigo Nélio Araújo, do Recife.
Detalhe: o cabelo é natural. Não tem uma gota de tinta. Chic, não???


Fátima Vieira

 

O meu dia mais feliz, sem nenhuma sombra de dúvida, é o dia do meu aniversário, 19 de fevereiro, o último dia do signo de Aquário, o qual, dizem os astrólogos, está 100 anos à frente dos outros signos. Pode até não ser verdade, mas acreditem, eu enxergo longe, muito longe! Descubro coisas que nem eu imaginava, só por enxergar um fato e ir fundo para descobri-lo.

 

bolas3Muitas vezes descubro coisas que me magoam e que mostram que algumas pessoas não são honestas comigo como deveriam ser, deixando para mim a escolha desse ou daquele caminho, não importando se certo ou errado, mas a minha escolha, o meu caminho a seguir. Fazer o quê? Seria tão mais fácil sempre dizer a verdade. Tenho certeza que haveria menos mágoa, menos sofrimento se isso fosse uma prática comum a todas as pessoas.

 

E como escrevi na postagem do ano passado, PARABÉNS PARA MIM!, os percalços que a vida me apresenta fazem parte dela, mas, mesmo assim, SOU MUITO FELIZ! As pessoas que me conhecem sabem disso. Sabem que essa afirmação não é só para escrever em blog, nas redes sociais, salas de bate-papo, grupos de discussão ou dizer em frente às câmeras, é real e verdadeira!

 

A vida, seja a sua origem científica ou religiosa, é uma dádiva, que eu não tenho a menor intenção de desperdiçar, remoendo para sempre as coisas ruins que me acontecem ou maldizendo isso ou aquilo, me tornando uma pessoa amargurada e de mal com todos, embora não deixe de dizer o que penso e sinto, doa a quem doer!

 

E não se iludam! Eu não sou boazinha! De santa só tenho o nome! Sou amiga, generosa, gosto de ajudar as pessoas, não odeio ninguém, mas sou vingativa, não perdôo, guardo mágoa e, sempre que posso, dou uma alfinetada em quem me magoou para que nunca esqueça o que me fez. Isso dura até o dia em que essa pessoa se torna transparente para mim, ou seja, deixa de existir, literalmente, para mim. E esse dia chega, podem apostar! É questão de dias: mais dias, menos dias!

 

Mas o que eu quero mesmo é viver e aproveitar as coisas boas, que são muitas, que a vida me oferece! E como diz o velho provérbio árabe: “Os cães ladram e a caravana passa!” E sobre esse provérbio há um texto de Sandra Nasrallah que eu gostei muito, neste endereço: http://recantodasletras.uol.com.br/cronicas/1002376

 

E vou comemorar este dia com a bebida que eu mais gosto: champagne! TIM! TIM! E PARABÉNS PARA MIM!

 

Aproveito também para cantar uma musiquinha de parabéns que eu gosto muito, de autoria de Alberto Ribeiro, parceiro de Braguinha:

 
 

Hoje é dia de teu aniversário;

Parabéns! Parabéns!

Fazem votos que vás ao centenário

os amigos sinceros que tens.

 

Reunidos neste dia,

de tão grande alegria,

desejamos que as bênçãos de Deus

caiam todas sobre os dias teus...

 

E que em data igual a esta,

haja sempre a mesma festa;

cada um renovando

os votos que hoje faz
de mil venturas e de Paz!

19/02/2011


 

COINCIDÊNCIA OU SORTE???

 

 

Fátima Vieira

 

Eu não sou escritora nem pretendo ser, mas resolvi escrever sobre passagens da minha vida que me marcaram, emocionaram ou foram, simplesmente, engraçadas, no meu ponto de vista, claro, esperando que sejam, também, para quem lê.

 

Hoje vou contar um caso que aconteceu comigo há alguns anos e que não sei classificar se foi coincidência ou sorte.

 

digitadoraComecei a trabalhar na Sudene, na subsidiária Conesg, que não existe mais, como digitadora (foto ao lado), mas cansei e fui ser recepcionista (foto abaixo, à direita). Depois fui trabalhar como secretária, pois já estava fazendo o curso de Secretariado Executivo na Universidade Federal de Pernambuco.

 

Eu era secretária de diretoria e os diretores eram, hierarquicamente, um cargo logo abaixo do superintendente e do superintendente adjunto. Fui secretária do Diretor de Incentivos, que lidava com o dinheiro do Finor, que financiava os empreendimentos e depois fiquei em uma única diretoria, a de Infra-Estrutura, que mudou de nome algumas vezes, como também de diretor, só não de secretária, que era eu.

 

Como é de conhecimento público, secretária fala com meio mundo de gente. Do contínuo aos diretores, superintendentes, presidentes, etc, etc, etc. Dr. Firmino Sampaio, que era o Chefe de Gabinete de Paulo Souto, que foi superintendente da Sudene e governador da Bahia, dizia que preferia falar com as secretárias que com os chefes, pois muitas vezes elas sabiam mais e resolviam mais que seus chefes. E ele tinha razão! Quando tirei as férias da secretária dele e me pedia para fazer uma ligação para algum tamporoso, ele falava primeiro com a secretária. Nunca teve a arrogância de muitos graduados de só querer falar com o chefe.

recepcionistaPois bem, nesse cargo eu falava com vários deputados de todo o Nordeste e de MG também, já que o Norte daquele Estado também fazia parte da área de abrangência das ações da Sudene. Na época meu chefe era Marcelo Cabral, um cabra muito decente e correto, com quem eu tive o maior prazer de trabalhar. Ele era tão decente que enfrentou o General Nilton Rodrigues, um linha dura, que foi superintendente da Sudene, numa reunião com todos os diretores e ali mesmo, na frente de todo mundo, pediu demissão do cargo por não aceitar uma imposição do General. Grande Marcelo Cabral!

 

Em MG havia um deputado chamado Fernando Diniz, que ligava muito para falar com Marcelo Cabral para tratar dos projetos de infra-estrutura do seu Estado. Ele era muito educado e sempre falava comigo antes de falar com o chefe.

 

secretariaNós, as secretárias da Sudene fizemos muitos cursos de reciclagem, assim como participamos de congressos, seminários, simpósios, etc, tudo para aprimorar o nosso desempenho na função. Muitos desses cursos aconteceram na Escola Nacional de Administração Pública – ENAP, sediada em Brasília, no final da Asa Sul.  Eu fiz uns 3 ou 4 cursos lá.

 

Em 1993, em plena CPI para apurar o caso dos anões do orçamento, fui fazer um desses cursos na ENAP (abaixo, à direita, foto da turma do curso de Atualização para Secretários, na ENAP, em 1993). E eu tinha muita vontade de ir até o Congresso para tentar assistir uma sessão plenária normal, assim como uma sessão da CPI. E fui.

 

Antes vou fazer um adendo. Desde a época que era recepcionista, conheci na Sudene o Deputado José Múcio Monteiro, que freqüentava as reuniões do Conselho Deliberativo, homem que considero belíssimo, além de simples, gentil e educado. Quando fui trabalhar como secretária da Diretoria de Incentivos, falava com ele com freqüência, pois, como todos os outros, ia atrás dos projetos sobre os quais tinha interesse. O diretor de plantão na época não gostava de falar com ele e o boato era que José Múcio não pagava a propina que ele pedia, então era escanteado. Eu nunca vi nada, por isso não posso confirmar ou desmentir tal história.

Mas voltemos à Brasília. Como só tinha aula na ENAP pela manhã, uma tarde fui até o Congresso tentar entrar no plenário para assistir uma sessão. Na portaria falei com um recepcionista e ele me disse que não seria possível, a não ser que eu conhecesse algum deputado que pudesse me introduzir no plenário. Lembrei imediatamente de José Múcio. Perguntei onde era o gabinete dele e o rapaz me informou que ficava no prédio anexo. Desisti de ir procurá-lo porque era em outro prédio. Quando já estava indo embora, voltei e perguntei por Fernando Diniz, aquele de MG e com quem eu falava sempre por telefone. Qual não foi a minha surpresa quando o rapaz me disse: “ele está passando atrás da senhora neste exato momento”. Quase não acreditei!

Fui atrás dele e me apresentei como a secretária de Marcelo Cabral da Sudene, com quem ele falava sempre. Ele lembrou de mim na hora, então falei que estava querendo ver a sessão da Câmara e se ele podia me levar ao plenário. Sem problema, respondeu ele. E lá fui eu, junto com Fernando Diniz, passando pelo salão verde e entrando no plenário da Câmara, no local onde ficavam os assessores e convidados dos deputados e junto às cadeiras destinadas a eles, com seus famosos pianinhos. A única recomendação que me fez foi de que, se perguntassem quem eu era, dissesse que era assessora dele. Fiquei até o final da sessão e matei a minha curiosidade.

 

BSB3Mas as coincidências ou sorte, sei lá, não pararam por aí.

 

Na noite desse dia fui a um barzinho com a minha amiga Help, servidora da Sudene em Brasília e que estava me hospedando na casa dela. No barzinho encontramos José Eugênio Monteiro, que foi casado com uma ex-colega minha do curso de jornalismo, funcionário da Caixa, parceiro de João Nogueira na música Nó na madeira e um bebedor dos bons! Ficamos papeando com ele, que já estava um pouco alto e eis que chega Roberto Freire, que tinha sido paraninfo da minha turma de Secretariado Executivo e eu, que era da comissão de festa, fui a encarregada de ir fazer o convite a ele e de recepcioná-lo no dia da colação de grau (na foto, tirada sem flash para não chamar a atenção, o Plenário da Câmara).

 

Contei isso a José Eugênio. Ele, do alto dos seus vários whiskys, chamou Roberto, me apresentou, disse que ele foi meu paraninfo e perguntou se ele lembrava de mim. Roberto olhou, olhou e, para minha surpresa, confirmou que me conhecia e disse o detalhe de ter sido mesmo paraninfo da minha turma, onde tinha sido a colação de grau, etc, etc, etc. Conversamos todos mais um pouco e eu e a minha amiga fomos para casa.

 

No dia seguinte foi uma festa no curso quando contei que tinha assistido a uma sessão da Câmara. Me chamaram de afoita, metida, enxerida e coisas afins.

 

À tarde, resolvi voltar ao Congresso, dessa vez para tentar entrar na sessão da CPI dos anões do orçamento. Era querer demais, né não? Demais ou não, eu fui!

 

Assim que desci do ônibus, caiu o maior toró e eu fiquei quase encharcada. Mesmo assim fui atrás do meu objetivo. Como já sabia dos caminhos lá de dentro, fui direto a um banheiro para me enxugar um pouco e me recompor depois do toró. Fiz isso e saí do banheiro pensando no que faria para chegar à CPI e entrar.

 

Quando já estava do lado de fora e me encaminhando para os lados da sala da CPI, eis que surge na minha frente Roberto Freire! Quase não acreditei! Fui cumprimentá-lo cheia de más intenções.

 

Perguntei se lembrava de mim da noite anterior e ele disse que sim. Aí, na maior cara-de-pau, disse a ele que queria ver a sessão da CPI dos anões. Sem problema, disse ele também. Sorte demais, né não? Saímos então para os lados da sala da CPI, não sem antes ele parar duzentas vezes para conversar com os colegas que encontrava (Genoíno, Mercadante, que eu acho um lindão também e outros que não lembro agora).

 

BSB4Entramos pela parte de trás da sala, onde ficava a imprensa e no exato momento em que Roberto Magalhães, Deputado por Pernambuco e relator da Comissão, apresentava um cheque que um dos envolvidos tinha recebido como propina. Freire me largou lá e saiu pela outra porta para resolver suas coisas. Permaneci na sala por umas 2 ou 3 horas ainda, junto aos jornalistas e bem quietinha, quase invisível, para não me expulsarem.

 

No outro dia foi outro fuzuê e mais brincadeiras dos colegas de curso por conta da minha audácia e da minha sorte.

Ao longo da minha vida amealhei muitas outras histórias de coincidências ou pura sorte, como essas. Algumas foram engraçadas, outras complicadas e umas poucas impublicáveis porque comprometem pessoas. Muitas me deixaram perplexa e sem acreditar como aquilo podia me acontecer, mas aconteceu...

A foto acima, à direita é na Praça dos Três Poderes, com o Palácio do Planalto ao fundo. A da esquerda é no Panteão da Liberdade.

31/01/2011

 


  

O MEU IRMÃO...

 

 



Fátima Vieira

 

Faz 12 anos hoje, 25/01/2011, que o meu único irmão, Ademar ou Deco, como eu o chamava quando era pequena, suicidou-se ingerindo veneno de rato com leite condensado, que ele adorava.

 

Ele nasceu em 1954, exatos 1 ano e 9 meses depois de mim, em Curitiba, onde papai foi trabalhar no Banco Lar Brasileiro. Nós mudamos de João Pessoa para lá no final de 1953, ficamos por 3 anos e depois fomos para o Recife, onde moramos até 2007.

 

E eu acho que errei quando disse que me descobri ciumenta aos 23 anos. Que nada! Eu sou ciumenta desde que nasci. O meu irmão sofreu que só comigo quando era recém-nascido. Mamãe contava que via umas manchas roxas nas unhas dele, bem na parte da cutícula, mas não sabia o que era. Um dia ela entrou no quarto e me encontrou dentro do berço dele, em pé, mordendo os dedinhos do bichinho. Tudo isso porque as atenções agora estavam voltadas para ele, que tinha acabado de nascer e não mais para mim, que antes reinava sozinha. Ainda bem que mamãe descobriu e me vigiou para não repetir a tortura. Tadinho...

 

deco2Ele era uma criança linda! Lourinho, lourinho, com olhos bem azuis, mais que os meus e tenho certeza que foi uma criança feliz. Estudava, brincava, tinha amiguinhos e brinquedos simples, como os da época e que as posses do meu pai permitiam comprar. E os meus pais sempre foram muito legais conosco. Nunca discriminaram um em favor do outro. Se papai ganhasse um bombom no trabalho, não comia e ainda comprava outro igual para levar um para cada filho. Estudávamos na mesma escola e sempre particulares, enquanto fazíamos o primário. No ginasial fomos para escolas públicas e só uma vez ele passou um ano sem estudar porque mamãe só conseguiu matrícula para mim, mas no ano seguinte ele voltou para a escola, coisa que nunca gostou.

 

O que ele gostava mesmo era de brincar e de desmontar e remontar seus brinquedos. E minhas bonecas, coitadas, viravam destroços, pois ele quebrava todas. E como sempre foi muito traquina, apanhou de papai muito mais do que eu. Depois que cresceu, essa curiosidade em saber como funcionavam as coisas e a facilidade de aprender, fez com que não pagasse por muitos serviços que ele mesmo fazia, inclusive consertos no carro.

 

Eu, ele e nosso avô OdilonE nunca foi um menino brigão nem violento, pelo contrário. Era muito bobo, talvez porque não fosse muito alto para a idade e os meninos batiam nele. Lembro de um menino maior que ele, chamado Paulo, que morava na nossa rua e batia nele com frequência. Um dia papai chamou outro menino da rua e pagou a ele para bater nesse Paulo. Depois que levou a surra o pai foi tomar satisfações com o meu pai, mas a coisa ficou por isso mesmo e o melhor foi que nunca mais o filho dele bateu em Deco. O que papai fez não foi correto nem um bom exemplo para nós, mas defendeu seu filhote e até deu uma lição no agressor, que eu espero tenha servido para o resto da vida: quer bater? Então procure alguém do seu tamanho para fazer isso e não um menor e indefeso.

 

O medo que ele tinha de dentista era fora do comum. Me lembro dele chorando tanto, mas tanto toda vez que ia à nossa dentista, que era uma luta para cuidar dos seus dentes. Uma vez, quando adolescente, o dentista para o qual fomos desistiu de examiná-lo porque ele começou a suar, a ficar pálido e frio, tanto que o profissional teve medo que desmaiasse e mandou-o descer da cadeira. Quando rapaz teve que perder um pouco desse medo, pois se não tratasse os dentes e os perdesse, as moças não iam querer namorá-lo. Pelo menos foi um bom motivo para se cuidar. Na foto à direita, eu, ele e nosso avô Odilon.

 

Como não gostava de estudar, mamãe colocou-o para trabalhar aos 15 anos, com um despachante do Porto do Recife e ele se deu muito bem nesse trabalho. Era muito trabalhador e não enjeitava serviço. Também era muito inteligente e se tivesse estudado mais tinha conseguido um emprego melhor. Aprendeu inglês lidando com os gringos no porto e com as traduções que o chefe dele, que era tradutor, fazia e ele transcrevia na máquina datilográfica. Uma vez o vi conversando em inglês com o tripulante de um navio e se expressava tão bem que parecia ter estudado a língua. E mesmo só tendo terminado o ginasial, assimilou bem as lições, pois escrevia em bom português. Descobri isso quando li as cartas de despedida que deixou e outras que estavam no computador dele.

 

deco4bNós brigávamos muito quando crianças e, adultos, não foi muito diferente. Nossos temperamentos e modo de pensar e agir eram bastante divergentes. Ele, apesar de ser uma pessoa boa, de gostar de ajudar os outros, não dava muita importância à família (nossos pais e eu). Era o jeito dele. Não era maldade, era displicência mesmo. Eu, ao contrário, sempre fui o esteio, a que estava lá para o que desse e viesse, chovesse ou fizesse sol. Essa característica dele me irritava profundamente e nós brigávamos. Eu queria que ele fosse mais atencioso com nossos pais e fosse mais presente nas questões familiares, mas não era assim. Talvez eu tivesse uma parcela de culpa nisso, já que sempre tomei para mim as grandes responsabilidades da família, mas alguém precisava ajudar meu pai com essas responsabilidades e eu era a mais velha.

 

Foi casado duas vezes e no primeiro casamento teve um casal de filhos, Michele e Thiago. O segundo casamento foi conturbado. Brigavam muito e quando ele fez a bobagem de morrer, estavam separados. Ele queria que ela voltasse, ela não quis e ele entrou em depressão e suicidou-se. Antes pediu que ela fosse vê-lo, exatamente no dia em que morreu. Não sei se queria matá-la também (encontramos uma seringa enorme, cheia de um líquido preto, junto a um colchonete, no chão de outro quarto) ou se era para que ela sentisse remorso por vê-lo morto. E foi ela quem o encontrou.

 

Ele era muito namorador e no IML, quando fomos liberar o corpo, eu e a filha tivemos uma grande surpresa: apareceu uma mulher com outro filho dele. Pensem num sufoco! Minha sobrinha, coitada, que tinha 17 anos, quase morre também! A cena parecia tirada de uma piada dos antigos almanaques de remédios. E o pior, o menino, que foi assassinado na adolescência, por se meter com quem não devia, tinha o mesmo nome e idade (apenas 5 meses de diferença de um para o outro) do filho nascido no casamento. Parece mesmo uma piada de mau gosto, não? Na foto ao lado, os três filhos.

 

Quando ele morreu, estávamos meio que brigados e eu não sabia que estava tão deprimido porque ele nunca foi de se abrir com a família. Os amigos sabiam, pois no dia 31 de dezembro já tinha tentado se matar, mas nenhum deles teve a coragem de chegar para alguém da família e contar. Essa primeira tentativa foi um pedido de ajuda, que ele não teve...

 

deco6bMeu irmão era uma pessoa alegre e de bem com a vida, pelo menos assim parecia. Adorava fazer brincadeiras com as pessoas e gostava de conversar. Os filhos da cunhada, eram loucos por ele, pois os levava para passear e cuidava deles como se também fossem seus filhos. Por ele ser assim, jamais pude imaginar que faria algo desse tipo. Na imagem, à esquerda, os filhos e à direita, os gêmeos da cunhada.

 

O suicídio dele me abalou muito, por anos, pois me culpava por não tê-lo ajudado. Hoje, passado todo esse tempo e depois de ter procurado ajuda terapêutica, não penso mais assim. Não me culpo mais. Eu e meu pai ainda sentimos muito a falta dele e o que fez, mas seguimos em frente, porque não nos restou mais nada a fazer.

 

E os filhos também sentiram muito, principalmente o menino, filho do casamento e com quem eu convivia, que era louco, apaixonado pelo pai. No velório e no enterro ele não pronunciou uma única palavra e nem derramou uma lágrima sequer. A irmã chorou, gritou, mas ele não. Guardou para si toda a dor que estava sentindo. E nem consigo quantificar o tamanho dessa dor nem o que se passava na cabeça dele. Deve ter sido um desgosto grande demais saber que o pai não pensou nele (logo ele, que o amava tanto) e matou-se por causa de uma decepção amorosa. Isso foi muito para um garoto de 13 anos que nunca falou sobre o assunto. Só uma única vez, algum tempo depois e quando estava junto com o outro irmão, me perguntou o porquê do pai ter feito aquilo. Após ouvir as minhas singelas explicações, calou-se para sempre! Anos mais tarde, vimos com tristeza o que essa perda causou a ele, mas hoje já é um rapaz de 24 anos e, como o pai, é alegre, brincalhão e não enjeita trabalho. Também já é pai de uma menininha recém-nascida e segue tocando a vida. A irmã passou melhor pela tragédia e recuperou-se mais rápido e melhor que ele. Na foto, Thiago, Michele e o meu pai, em 27/12/2010.

Infelizmente, quem comete um ato desses, pensa que é a solução para tudo e que assim vai deixar as pessoas em paz. Grande engano! As sequelas para os que ficam são grandes e, muitas vezes, difíceis ou até impossíveis de curar. Eu que o diga..

25/01/2011


 

ANIVERSÁRIO DA MINHA MÃE...

 




Fátima Vieira

 

Hoje, 15 de janeiro, é o aniversário da minha mãe. Ela se chamava Cinira e meu avô colocou esse nome nela, tirado de uma história de um livro didático. Se ela fosse viva, faria 88 anos, mas, infelizmente, morreu aos 67 anos, em 02/11/1990, de uma hérnia estrangulada, não detectada a tempo pelos médicos, o que a fez ter infecção generalizada e morrer após 3 dias no hospital. Morreu na UTI, mas lúcida e falando comigo, mesmo entubada.

 

mamae3 Minha mãe era baixinha, media só 1,51cm e gordinha, isso depois de casar e ficar grávida, pois solteira, pesava 40kg e tinha um corpinho e umas pernas de dar inveja (vejam a foto), mas pensem numa baixinha e gordinha valente! Enfrentava qualquer marmanjo de 1,90cm sem pestanejar. Uma vez, ela enfrentou o marido de uma vizinha, um cabra grande, forte, esquizofrênico, que queria matar a mulher numa das crises, porque ela pulou o muro e se abrigou na minha casa com medo dele. Mamãe o pôs para correr!

 

Quando o meu tio Luís, irmão dela, que era militar da Aeronáutica, matou a mulher por acidente, comprovado perante o Juiz pela própria mãe da mulher dele, mamãe enfrentou o delegado que levou o meu tio preso, por não ter chamado a Aeronáutica para levá-lo, o que é o procedimento correto para os militares. Depois de ouvir cobras e lagartos da minha mãe, o delegado não teve outra alternativa, senão cumprir a obrigação dele.


Mas a mulher braba era um doce de criatura. Alegre, prestativa, amiga, sempre pronta a ajudar quem precisasse. Duvido alguém chegar à nossa porta pedindo uma esmola para ela negar. Nunca! E falava pelos cotovelos!

 

E que mãe incrível ela foi para o seu casal de filhotes. Nunca deixou de comemorar nossos aniversários. Ela mesma fazia o bolo confeitado e todos os docinhos e salgadinhos. Lembro de um piano que ela fez para mim. Mandou papai encomendar uma bandeja em forma de piano de cauda e fez tudo direitinho, sem nunca ter feito um curso de confeitaria. E ficava até altas horas da noite preparando tudo para a festa.

 

Também fazia aniversários e casamentos das minhas bonecas e das minhas amigas. Sentava horas à máquina de costura fazendo roupinhas para as minhas bonecas. Ensinava nossos deveres e ia a todas as reuniões da escola. Quando já estava no ginasial, que hoje deve ser o equivalente ao primeiro grau, ela deixava o meu irmão, que não gostava de estudar, na porta do colégio. Ele entrava e depois que ela ia embora, ele fugia para ir foguetear (que termo mais antigo!) com os amigos. Isso ela descobriu depois, mas cumpria a obrigação de mãe levando-o até à porta da escola.
 

Uma vez ela me deu uma lição que jamais esqueci. Quando eu estava no jardim da infância, com uns cinco anos de idade, um dia cheguei em casa com um vestidinho de boneca trancado na mão. Lembro como se fosse hoje que era um vestidinho amarelinho com flores miúdas que eu levei das bonecas da escola para vestir nas minhas em casa. Quando ela viu o vestido na minha mão e eu confessei de onde tinha tirado, ela me levou de volta para a escola e me fez devolver o vestido para a professora e pedir desculpas pelo meu erro. Bela lição!

 

Mas era muito mole comigo e meu irmão. Quando fazíamos as coisas erradas em casa ela dizia sempre: “quando seu pai chegar eu vou dizer”. Não era essa a forma correta de educar. Devia corrigir a gente, como ela fez com a história do vestidinho da boneca, na hora!. Meu pai que é calmo, mas fica brabo se pisar nos calos dele, chegava em casa cansado, com fome e ouvia mamãe buzinando nossas traquinagens no ouvido dele e não dava outra: tome lapada de cinturão na gente! Meu irmão, que era muito danado, apanhou que só!

 

mamaepapai2E sempre foi uma mulher dedicada ao meu pai, que era e é uma pessoa muito decente. Eles brigavam porque ela tinha gênio forte e falava o que lhe vinha à cabeça, mas nunca os vi brigar por ciúmes, pois meu pai nunca deu motivos a ela para isso.

 

Ele trabalhava como contínuo no Banco Lar Brasileiro, nós morávamos longe e éramos muito pobres. O fogão da nossa casa era de barro, à carvão, mas nunca meu pai chegou em casa na hora do almoço casa para não encontrar a comida pronta, para que ele pudesse voltar a tempo para o trabalho. E era uma ótima cozinheira! Adorava cozinhar e inventava comidas para o nosso deleite.

 

Era um pouco hipocondríaca, mas melhor assim que ser como papai, que nunca diz o que sente e já passou por situações difíceis por causa disso.

 

E eu tenho grandes amigos em SP e em outros lugares, que se hospedaram algumas vezes na minha casa (tudo isso no Recife). Ela dizia que não ia paparicar ninguém, que não ia fazer nada, mas quando eles chegavam, ela os tratava a pão-de-ló. Taí Pepê, um grande e querido amigo de SP, há 33 anos, que o diga! Ele a chamava de Cinirinha e chama meu pai de Dema (Ademar).

 

E eu nunca tive segredos para ela. Contava dos meus namorados, dos problemas no trabalho, na faculdade e nunca menti, até porque mentira tem pernas curtas e a coisa que tenho mais medo na vida é ser pega em uma mentira.

 

Já faz 20 anos que minha mãe morreu, mas parece que foi ontem. Tenho muitas saudades dela, principalmente por não estar aqui quando nós temos uma qualidade e um padrão de vida melhor e por termos voltado para João Pessoa, cidade onde ela criou-se (era pernambucana de Vitória de Santo Antão) e de onde saiu em 1953, só tendo voltado a passeio, para visitar a família.

 

Onde ela estiver, sei que vela por nós e dei graças por ela ter morrido antes de ver o suicídio do meu irmão, fato que, poderia tê-la matado, já que tinha problemas cardíacos.

 

Saudades de você, mamãe, muitas...

15/01/2011


 

COMO ME DESCOBRI CIUMENTA E PASSIONAL...

 

 

Fátima Vieira

 

Aos 23 anos eu namorava um homem de 39. Vale dizer que sempre gostei dos mais velhos, embora tenha tido uns “tititis” com homens mais novos que eu (um era 20 anos mais jovem). Mas não fiquem fazendo as contas de quantos namorados já tive porque não vão acertar. Levem em conta a minha idade, 57 anos, que sou solteira, nunca casei, portanto, livre para namorar muito (risos).

 

Esse homem de 39 anos, foi a primeira grande paixão da minha vida e o primeiro namorado sério que eu tive. E podem cair de costas por eu ter tido o primeiro namorado sério só aos 23 anos de idade. Antes disso foram amores platônicos, paqueras, coisa de adolescente, que nem chegaram a ser namoro.

 

Ele era (era não, é, porque penso que ainda está vivo, aos 73 anos de idade) um homem bom, generoso, alegre, boêmio, exímio violonista (tocava e cantava para mim: "teus olhos são duas contas pequeninas, qual duas pedras preciosas, que brilham mais que o luar"...), gostava muito de mim também, mas era muito namorador e eu ficava com o pé atrás, claro!

 

Nós nos dávamos o prazer de fazer grandes noitadas num local que havia no Recife, chamado Casa da Seresta, onde íamos às quartas-feiras para ouvir boa música, ao vivo, tocada por ótimos violonistas e cantada por pessoas que cantavam na noite, em bares e boates. A quarta-feira era o dia de folga, por assim dizer, dessas pessoas e eu desfrutei muito disso e guardo as melhores lembranças desse tempo.

 

E quando a gente é jovem, tudo é bom e fácil. Eu chegava em casa às 4/5 horas da manhã, tomava um banho, tomava café e ia trabalhar, como digitadora. Nunca faltei ao trabalho nem cheguei atrasada por causa das minhas noitadas. Sempre fui extremamente responsável.

 

Pois bem, meu namorado namorador se comportava bem comigo e eu nunca descobri nenhuma traição nem canalhice dele. Sempre estávamos juntos e eu sabia os lugares que ele freqüentava e até as amizades que tinha, pois conhecia muitas dessas pessoas.

 

Na época eu tinha um fusquinha branco e ele um fusquinha azul, que chamava de Herbie, por causa do filme "Se meu fusca falasse".

 

Uma sexta-feira eu saí com uma amiga e depois fui levá-la em casa, lá em Piedade, uma praia que ficava depois da Praia de Boa Viagem.

 

Na volta, vim pela Av. Boa Viagem , que é à beira-mar e entrei na Antonio Falcão para seguir direto e chegar ao bairro da Imbiribeira, onde eu morava.

 

Quando dobrei na Antonio Falcão (já era perto de uma da manhã ou mais) dei de cara com Herbie, estacionado junto a um prédio onde eu sabia que morava uma amiga da minha paixão. Pense num susto!!!

 

Que fiz eu: estacionei meu carro atrás do dele e comecei a vigilância. Decidi que ficaria ali até ele aparecer. Queria pegá-lo no flagra e nada melhor que esperar. E esperei... Esperei... Esperei...

 

Só não pensem que esperei sentada, absolutamente. Em alguns momentos até sentei no meio-fio, quando me senti cansada e quando vi um carro da polícia, com medo que eles me abordassem para saber o que eu fazia a uma hora daquela, sozinha, na rua. Hoje eu jamais faria isso, com todo o perigo que presenciamos diariamente.

 

Naquela época os prédios não tinham a segurança que têm hoje em dia, então eu subi no prédio onde morava a amiga dele (eu não sabia qual era o andar) e fui colocando o ouvido em todas as portas para tentar escutar o som de um violão porque sabia que ele estava ali tocando, entre outras coisas que eu estava imaginando, claro! Não escutei nada! Depois descobri que ela morava na cobertura e para lá não tinha acesso pela escada, pelo menos que eu pudesse ver. Também descobri depois que a moça (ele me levou lá) pesava uns 200kg e nem se levantava muito do lugar por causa da gordura e das doenças que tinha. Fiquei até com remorso de ter pensado mal da situação.

 

Sem me dar por satisfeita em não encontrar o AP onde ele estava, fui ao prédio vizinho e fiz a mesma coisa. Quem sabe eu estava procurando no prédio errado, né não? Não encontrei nada! Voltei e fiquei sentada no meio-fio esperando...

 

Quando já eram umas 4 horas da manhã, resolvi ir embora, mas antes pensei em deixar a minha marca para ele saber que estive ali a esperá-lo.

 

Naquela época os carros não tinham a segurança que têm hoje e eu consegui abrir o carro dele com a chave do meu, afinal os dois eram fusquinhas. Abri e deixei um bilhete para ele pendurado no espelho retrovisor interno, dizendo que tinha estado ali a esperá-lo e mais um monte de desaforos.

 

Fim da história? Fui para casa? Que nada! Tive outra ideia, que ia deixá-lo irado e sem poder sair do lugar. Arranjei um palito ou alguma outra coisa que não lembro agora e apertei o pito (o nome daquilo é pito?) do pneu da frente do lado esquerdo, esvaziando-o e depois do pneu de trás do lado direito. O pobre do Herbie ficou penso, tadinho... E quase fui pega pela polícia fazendo isso, que passou novamente no exato momento que eu cometia esse ato de vandalismo. Aí sim, fui embora para casa para dormir e esperar a confusão que ele faria quando aparecesse.

 

Lá pelas 3 da tarde, mais ou menos, ele apareceu. Com raiva? Que nada! Dando grandes gargalhadas com o que eu tinha feito e dizendo que tinha saído da casa da moça umas 5 da manhã e que se eu tivesse esperado um pouco mais tinha me levado para conhecê-la, o que aconteceu dias depois.

 

O que eu fiz? Nada! Dei boas gargalhadas também e ficou tudo bem. Foi com esse episódio que eu descobri o quanto sou ciumenta e passional. Um colega de trabalho de uma amiga disse que se a namorada dele fizesse isso com ele, também não acharia ruim. Pensaria que ela gostava muito dele, num pensamento parecido com o de Carpinejar.

 

E há outros episódios na minha vida sobre ciúmes. Uns engraçados e outros nem tanto. Um doeu demais, ao descobrir a traição de uma grande paixão. Abriu feridas que nunca cicatrizaram. Eu segui em frente com a relação, mas não perdoei e não perdoarei jamais, pois de santa só tenho o nome!

 

Sou humana, leal, fiel, apaixonada e quando entro numa relação ou em qualquer outra coisa na vida, é para valer. Sou incapaz de trair o homem que amo. Se não estiver gostando da relação, faço como dizia minha mãe “pego meus panos de bunda e vou embora”. Não sei trair nem para me vingar. Minha vingança é de outra maneira, mas trair, nunca!

 

09/01/2011

 


 

PARABÉNS PARA MIM!

 


Fátima Vieira

 

Hoje, 19/02/2010, completo 57 longos e bons anos de vida. Parabéns para mim!

 

Parece algo ridículo e prepotente eu mesma me dar parabéns, não é? É não!!! Me dou parabéns porque acho a vida uma coisa tão boa, mas tão boa, que fico muito feliz  por estar viva e comemorando mais um ano. Então, mereço parabéns por viver!

 

Há pessoas que nem dizem a data de nascimento (o ano então...), porque não gostam de comemorar aniversário. Eu sou totalmente o contrário dessas pessoas. Todo ano eu queria poder dar uma enorme festa, convidar toda a família e todos os meus amigos para celebrar a minha existência. E olhe que minha vida não é um mar de rosas, porque, como todas as pessoas, sofro com os percalços que ela me apresenta, mas faz parte e sou feliz assim.

 

Nesses 57 anos tive muitas vitórias e algumas derrotas, como a morte da minha mãe e do meu irmão. E, certamente, esses foram os fatos que mais me marcaram. Mas ainda tenho o meu pai, que está com uma grave doença, mas vivo e se tratando. Terá, pelo menos, uma boa qualidade de vida para terminar os dias dignamente.

 

Namorei muito e namoro ainda, mas nunca casei e não tenho descendentes diretos porque nunca quis ter filhos. Foi uma escolha da qual não me arrependo, mas muita gente diz que deveria ter filhos porque vou terminar a vida sozinha. E filho é sinônimo de companhia no final da vida? Nunca foi! Os filhos têm que seguir com suas próprias vidas e não ficar atrelados aos pais por obrigação ou pena. Eu cuido do meu pai porque quero, porque devo e porque me dá prazer. Meus pais nunca foram empecilho para nada na minha vida, pelo contrário. E continua assim. Muitas vezes me sinto cansada porque somos só nós dois e eu para fazer tudo, mas vale a pena e não reclamo.

 

Enfim, a vida é bela e quero viver muitos anos ainda, lúcida, produtiva, braba, moleca, alegre e sorridente, como sou, claro! E se for para ficar em cima de uma cama, melhor morrer logo. Não me imagino dando trabalho às pessoas, portanto, quero morrer dignamente, de um enfarto fulminante, de preferência. E depois do meu pai, para ele não ficar sozinho. Será que é pedir muito?



 LEMBRANÇAS DO PADRE HENRIQUE

 

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Fátima Vieira

 

 

Eu estudava no Colégio Municipal do Recife e cursava o primeiro ano do curso Científico,  que hoje corresponde ao segundo grau. O Padre Antonio Henrique Pereira Neto, Padre Henrique, como era conhecido, nascido no Recife, no dia 28 de outubro de 1940, filho de José Henrique Pereira da Silva Neto e Isaíras Pereira da Silva, sociólogo e professor, desenvolvia atividades junto ao então Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara e era uma espécie de capelão do Colégio Municipal, já que celebrava as nossas Páscoas e outras comemorações religiosas. Acredito que fazia isso porque dois dos seus irmãos, Terezinha e Alexandre, estudavam no colégio e na minha turma. Ele era uma criatura de uma doçura sem par.

 

Padre Henrique fazia um trabalho muito bom com adolescentes, acompanhando-os e orientando-os, trabalho esse que não agradava muito aos poderosos de plantão porque conscientizava os jovens da verdadeira situação do país na época braba da ditadura. Ele também ensinou no Juvenato Dom Vital, na Cúria Metropolitana do Recife, nos colégios Marista, Nóbrega e Vera Cruz, na Escola Técnica do Derby e na Faculdade de Ciências Sociais.

 

Na madrugada do dia 27 de maio de 1969, o corpo do Padre Henrique foi encontrado no campus da Cidade Universitária, no Recife, com marcas de tortura.

 

Na tarde desse dia fui ao Colégio, mas ao chegar encontrei tudo fechado, com um aviso da morte do Padre Henrique pregado no portão. Vários colegas já se encontravam na frente do Colégio, todos atônitos e sem saber a explicação da morte. No aviso também estava dito que o corpo seria velado na Igreja do Espinheiro e nós fomos para lá.

 

Quando chegamos à Igreja já havia um grande número de pessoas, a maioria jovens, como nós, estudantes universitários e secundários e uma fila enorme para ver o corpo. Foi um choque! Aquele rosto amigo e tranqüilo, continuava tranqüilo, mas estava arroxeado e sua testa mostrava um pedaço grande de pele arrancada. Choramos com a visão...

 

E foi celebrada uma missa de corpo presente e o tempo todo cantávamos a Oração de São Francisco, cujo trecho “E é morrendo que se vive para a vida eterna” parecia a coroação do que foi a vida do Padre Henrique, igualzinha à Oração de São Francisco...

 

Após algumas horas, saiu o cortejo, com o corpo à frente, rumo ao Cemitério da Várzea, distante dali uns 12 a 15km. Pelo caminho os universitários faziam comícios-relâmpago e nós, os secundaristas, apoiávamos e acompanhávamos.

 

Quando descemos a Ponte da Torre, demos de cara com um batalhão de choque da Polícia Militar. Os soldados estavam armados com cassetetes e escudos e partiram para cima da multidão, a fim de intimidar a todos. Foi uma correria geral. Muitas pessoas, no entanto, permaneceram onde estavam e até se ajoelharam, num gesto que para mim queria dizer: “batam em nós, desgraçados, pessoas pacíficas e ajoelhadas!”. Os soldados quebraram cartazes e bateram nos que se rebelaram.

 

Eu, que era grandona por ser alta e gordinha, peguei minhas duas amigas e colegas, Cristina e Kalua pela mão e saímos correndo a procura de abrigo. Encontramos numa farmácia, a uns 300m da ponte, na esquina da Rua Conde de Irajá com José Bonifácio, cujo dono já estava fechando e, por pouco, não nos deixa entrar. Ficamos ali, quietas e tremendo, até as coisas acalmarem e podermos ir embora para casa. Eu era muito jovem (tinha 16 anos) e não tive a coragem que teria anos depois, de continuar a marcha até o Cemitério da Várzea e enfrentar a polícia.

 

E nem fui para casa, fui para o prédio da Receita Federal, no Bairro do Recife, onde meu pai tinha uma cantina e estava lá com minha mãe e meu irmão. Eles nem imaginavam onde eu andava. Ao passar em frente ao quartel do Derby, vi mais carros do batalhão de choque, cheios de soldados, certamente prontos para reprimir os participantes do cortejo fúnebre, pacífico e ordeiro, de um mártir assassinado por alguém das suas próprias hostes, o Major José Ferreira dos Anjos, como se soube depois.

 

Ainda hoje fecho os olhos e vejo, como se fosse ontem, o rosto do Padre Henrique no caixão, tranqüilo, como só os justos podem ser e faltando um pedaço da testa...

 

Maio/2009


EU E A REDE FEMININA DE COMBATE AO CÂNCER

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Fátima Vieira

Depois que voltei para morar em João Pessoa, um dia precisei ir ao ambulatório do Hospital Napoleão Laureano, referência no tratamento de câncer na Paraíba, acompanhando uma pessoa amiga e lá vi umas senhoras vestidas com jalecos cor-de-rosa, com um monograma bordado do lado esquerdo do peito, bem em cima do coração, onde se lia REDE FEMININA DE COMBATE AO CÂNCER, JOÃO PESSOA/PB, VOLUNTÁRIA, prestando assistência aos pacientes e distribuindo lanches. No lado esquerdo do ambulatório vi uns senhores com jalecos azuis, com o mesmo nomograma, tocando músicas para alegrar os pacientes que esperavam para ser atendidos. Essas senhoras e esses senhores exerciam as suas funções com muito boa vontade e respeito aos pacientes. Naquele instante decidi que também queria ser um deles.

Procurei saber como poderia me engajar e fui orientada a procurar a Casa de Apoio da Rede, que fica pertinho da minha casa, para me inscrever. Fiz isso em maio e em agosto/2008 comecei a trabalhar como voluntária da Rede Feminina de Combate ao Câncer na Paraíba.

O meu trabalho, às terças-feiras pela manhã, consiste em conversar com os pacientes dos SUS, que estão no Hospital Napoleão Laureano para fazerem quimioterapia. Eles passam, no mínimo, hora e meia ligados a soros e drogas pesadas que servirão para melhorar a sua condição de saúde e à tentativa de debelar o mal que os acomete. Muitos chegam a passar seis horas, sentados ou deitados, até terminarem a sua cota do dia. Alguns vão lá por dois, três dias seguidos, conforme seja o tratamento, para cumprir o mesmo ritual.

A maioria vem do interior e os de mais longe levam de seis a oito horas de viagem para chegar ao hospital. Saem de suas cidades pela madrugada, em ambulâncias das prefeituras, carros de aluguel ou de ônibus, desconfortavelmente acomodados, às vezes sem se alimentar, para não perder a hora. Nos arredores do hospital existem casas de apoio de prefeituras, sindicatos e até da Rede Feminina (atualmente fechada para reforma), que abrigam os que necessitam ficar por mais de um dia, fornecendo dormida e alimentação (algumas só dormida) a esses sofridos e necessitados seres humanos.

Conversar com essas pessoas é muito bom. Muitas vezes acredito que sou muito mais beneficiada que eles nessa troca. As suas experiências de vida, seus problemas, alegrias e dificuldades, nos são relatados de uma maneira simples, sem reservas, sem medos e sem constrangimentos. E se eu não tiver cuidado passo o tempo todo de papo só com um paciente, quando tenho 16 para atender, num espaço de três a quatro horas.

Um deles, lá do sertão, canta e nos brinda com seus improvisos. Já me contou que fez músicas para a campanha de vários prefeitos da sua cidade. Bebia e fumava muito, mas hoje leva uma vida mais regrada por causa da doença, mas não perdeu a alegria de viver nem a vontade de alegrar as pessoas com seu canto e loas.

Às quartas-feiras, na parte da tarde, também faço um trabalho junto aos familiares dos pacientes que estão na UTI do Laureano. Minha missão é dar um conforto, uma palavra amiga aos parentes que estão vivendo a iminência de perder seu ente querido e essa tarefa não é fácil. Muitos não têm a coragem nem de chegar junto do paciente (meu pai não conseguiu ver minha mãe na UTI) e, muitas vezes, querem que as voluntárias os acompanhem até o leito, como se buscassem uma força que eles não têm naquele instante. Não é fácil para nenhum dos lados...

Saibam que nada disso que faço me torna melhor ou faz com que eu me distinga das outras pessoas, absolutamente. Optei por esse trabalho para ocupar um pouco do meu tempo com quem necessita, já que não posso mais ter um trabalho formal porque meu pai, que está com 87 anos, precisa da minha atenção e não pode ficar muito tempo sozinho. E não me arrependi da escolha que fiz. Estou feliz e tenho certeza que ainda poderei ser útil a essas pessoas por muito tempo.

Se quiser saber mais sobre a Rede Feminina, clique aqui.

Abril/2009


PAIXÃO DO MENINO DEUS - A VISÃO DE UMA SIMPLES ESPECTADORA

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Fátima Vieira

A Paixão do Menino Deus, espetáculo encenado ao ar livre, de graça, no centro de João Pessoa, com apoio da Funjope e da Prefeitura de João Pessoa, conta a Paixão de Cristo, contextualizada nos dias atuais, com atores amadores e outros com anos de experiência, dirigidos por um diretor experiente e que também é o autor do texto, Tarcísio Pereira.

É a história de Emanuel*, filho de Mariana e Zé Carpinteiro, um rapaz que tenta resgatar seus companheiros da periferia, das drogas e dos crimes. E seu amor ao próximo e a sua determinação surtem efeitos positivos, mas desgostam os traficantes e os chefes de gangues. E Emanuel é raptado, torturado e assassinado.

A história tem todos os elementos da Paixão de Cristo tradicional, mas todos modernizados (a "ressurreição" de Emanuel acontece num hospital e é feita por médicos) e Jesus Cristo, tal qual como o conhecemos, está presente o tempo todo, contando o seu sofrimento e em diálogos com Emanuel.

Confesso que esperava menos, dentro da minha visão de simples espectadora e pelo pouco tempo que o grupo teve para ensaiar, mas o que vi foi um espetáculo lindo, bem encenado, cheio de recursos tecnológicos, muita luz, muita música, com a Orquestra de Câmara e coral, regidos pelo maestro Eli-Eri Moura, além dos atores que também cantam,o que poderia até classificá-lo como um musical. A coreografia hip hop também tem vez no espetáculo, perfeitamente inserida no contexto dos personagens.

Além da mensagem de doação e amor ao próximo, também vimos um recado ecológico e sobre o exercício de cidadania, com os anjos da peça indo ao palco, sempre que necessário, com um cesto onde se lia a palavra LIXO, apanhar latas e tudo o que era largado lá pelos atores, por exigência da cena.

O público assistiu atento e em silêncio. E o final não poderia ser outro senão o da ascensão de Jesus Cristo aos céus, cena que sempre emociona, em qualquer contexto. Os aplausos do público foram todos merecidos.

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* Emanuel, (nome próprio hebraico que, traduzido, significa "Deus conosco"), é um nome profético que se referia à vinda do filho unigênito de Deus à Terra, frequentemente usado para se referir a Jesus Cristo, por este cumprir dezenas de profecias que anunciavam a vinda do Messias no Antigo Testamento, inclusive uma muito conhecida, do profeta Isaías, que dizia: "Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel" (ver Isaías 7:14 e Mateus 1:20-25). Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Emanuel

Abril/2009


MINHA VOLTA PARA JOÃO PESSOA

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Fátima vieira

Amanhã (22/12/2008) faz exatamente um ano que voltei para meu torrão natal, João Pessoa.

Voltei para ter uma melhor qualidade de vida, para ficar perto da minha família, da minha paixão e tenho certeza que foi uma atitude bastante acertada.

Recife foi e será sempre muito querida para mim. Lá consegui as coisas que hoje vim desfrutar aqui: bom emprego e estudo... Também foi lá que fiz grandes amizades, tive grandes paixões, algumas decepções e as piores coisas que poderiam me acontecer: perder minha mãe e meu irmão... Mas tudo isso faz parte da vida e serviram para o meu crescimento.

Voltar para cá, depois de 53 anos fora e 51 em uma mesma cidade, me deixou um pouco apreensiva, afinal mudanças sempre nos causam um certo temor, mas foi tudo muito melhor do que eu pensava.

As famílias da minha mãe e do meu pai são grandes e todos nos receberam e nos tratam muito bem! Tenho aqui tias, tio, primas e primos e no Recife tinha só meus dois sobrinhos e minha cunhada, além dos amigos, claro!

Moro num apartamento muitíssimo melhor do que eu morava no Recife (o prédio tem até piscina), perto da família e também da minha paixão. Meu bairro, Jaguaribe, um dos mais antigos da cidade, é muito agradável, tem muitas casas, pouquíssimos prédios e fica perto de tudo: comércio, médicos e para a praia são só 7km. A rede de médicos da Geap (meu plano de saúde) na Paraíba, é tida como muito melhor que a de Pernambuco. E até hoje todos os médicos que procurei, com uma única exceção, não me decepcionaram, muito pelo contrário!

Às quartas-feiras, pertinho de casa, há uma feira que dura o dia inteiro e é considerada a melhor de João Pessoa. Tenho a Mata do Buraquinho, uma reserva de mata atlântica, como vizinha e na minha casa não faz calor. No inverno ficava o tempo todo com a porta e a janela da varanda fechadas, de tanto frio que fazia. Nem precisava ligar ventilador nem ar condicionado para dormir. Também não tem muriçoca, como tinha no Recife. O trânsito é infinitamente melhor que o do Recife. E aquela história de "motorista da Paraíba", é só puro preconceito mesmo! Não vejo os motoristas usarem as buzinas como no Recife e dar a vez para o pedestre, é uma constante por aqui. Também temos violência, mas ainda é muito seguro morar nesta cidade.

Além dessas coisas, estou fazendo um trabalho voluntário na Rede Feminina de Combate ao Câncer na Paraíba, que está sendo pra lá de gratificante para mim. Estar com os portadores de câncer que fazem quimioterapia, uma vez por semana, me traz uma sensação tão boa de estar sendo útil que ninguém pode imaginar... E sinto não poder dedicar mais tempo a esse trabalho, pois preciso ficar com meu pai, que já tem 86 anos e precisa de companhia.

Também já fiz algumas boas amizades e até já fui citada em coluna de jornal (uau!!!), portanto, já estou até famosa.

Meu pai está adorando morar aqui, pois sempre teve vontade de voltar. Ele, que morava neste mesmo bairro, antes de irmos embora, lembra das pessoas, de onde moravam, de quem era quem e de fatos da história dos quais presenciou alguns. E está muito, muito contente por tudo!

Essas simples palavras são para dizer da minha felicidade por estar aqui e que não deixem de conhecer João Pessoa, seu povo, suas belezas naturais e se quiserem mudar para cá, aposto que não irão se arrepender.

Dezembro/2008


A música de fundo é "My friend blond", de autoria do Maestro Edson Rodrigues e feita especialmente para mim.

 

 
 
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