Abaixo do teu umbigo tem uma flor apressada que germina com a rapidez da paixão e cresce rija ao menor toque da minha mão.
Abaixo do teu umbigo tem um hibisco formoso e rubro que dura pouco mas tão intenso em seu esplendor que sempre me semeia a cada floração com as gotas do teu amor.
LOUCA DE PRAZER
Lilian Maial
Meus instintos viajam na velocidade da luz De um jardim florido, onde pássaros cantam hinos de amor, Ao nosso quarto de hotel, De meia-luz e cheiro de sexo, Com a música suave e incidental. Habito os bancos de praça, Com sua cabeça em meu colo E abelhas zoando na folhagem, Ao mesmo tempo em que me excito Ao ver seu corpo no espelho Me abraçando por trás, me despindo. Discuto meus problemas, Escuto suas angústias, Quase que no minuto Em que ouço seu sussurro em minha nuca E deixo cair o roupão ao chão. Permito-me recostar em seu peito carinhoso, Passeando entre bosques e alamedas Da mesma forma em que percorro seu contorno Desafiando seus relevos com as mãos firmes e sedentas. Sou sua menina levada, sua amiga, sua criança E sua gueixa danada, sua deusa, sua onça. Dou risadas de brincadeira, faço graça, digo asneira Lambuzo o queixo de doce, Devoro o chocolate inteiro. Ou cravo os dentes nas coxas Massageio ou arranho as costas Faço tudo o que sei que gosta Pra lhe deixar prisioneiro. De dia, bebendo sua surpresa, De noite, embriagada de seu espanto, Conquisto espaço com meus beijos e meu canto. Encurralada na parede do quarto, Feito bicho acuado, revido o ataque, Rolando feroz e felina Com a mesma raça da menina Que aprendeu a desejar seu homem Quer saciada, quer com fome, Mas sempre querendo mais. Agora suada, deitada, entregue e nua Espio de rabo de olho Meu corpo no reflexo do teto E o sorriso de aprovação Da beleza e plenitude do seio inquieto Do prazer escorrendo no canto da boca Revela a mulher quase louca Exalando delícias na cama, Fazendo do gozo o nirvana, Do aconchego, a construção E de seu homem, o arquiteto.